O pedido é sempre o mesmo na reunião de planejamento: “preciso de mais uma pessoa”. O volume cresceu, os processos se acumulam, o time não […]

O pedido é sempre o mesmo na reunião de planejamento: “preciso de mais uma pessoa”. O volume cresceu, os processos se acumulam, o time não dá conta. A diretoria olha o orçamento e responde: “não agora”. O gestor sai da reunião frustrado. O time continua sobrecarregado. E ninguém questiona o que realmente consome o tempo da equipe.
O FollowNet One (e.Mix) é uma plataforma de gestão por exceção para Comex. Em vez de acompanhar cada processo manualmente, o sistema sinaliza apenas os desvios que exigem ação — com dono, prazo e evidência. Neste artigo defendemos uma posição que incomoda: na maioria das operações de Comex, o problema não é falta de gente — é excesso de retrabalho que consome o time que já existe.
No Comex, contratar mais gente sem eliminar o retrabalho é como adicionar baldes embaixo de um telhado furado — resolve o sintoma, não a causa.
Antes de pedir headcount, vale auditar o que realmente consome as horas da equipe. Em análises de cenários que realizamos em operações industriais de importação, os mesmos 5 ladrões aparecem em praticamente toda operação:
Ladrão 1 — Consultas manuais em portais governamentais. Acessar Siscomex, Mantra, Mercante, Siscarga, CCT — cada analista faz isso dezenas de vezes por dia. Cada consulta leva 2-5 minutos. Multiplique por 20 processos e 5 analistas. São horas por dia gastas copiando dados de uma tela para outra.
Ladrão 2 — Redigitação entre sistemas. O mesmo dado (número do BL, peso, valor) é digitado na planilha de FUP, no e-mail para o despachante, no relatório para o planejamento e no sistema de custos. Quatro vezes. Cada vez com risco de erro.
Ladrão 3 — Follow-up por e-mail. “Qual o status do processo X?” — enviado 10 vezes por dia para agentes, despachantes e transportadoras. Cada e-mail exige redação, envio, espera e leitura da resposta. Tudo manual.
Ladrão 4 — Compilação de relatórios. O gestor pede um consolidado semanal. O analista abre 5 planilhas, copia dados, formata, confere. Duas horas. Todo final de semana útil.
Ladrão 5 — Processos “sem dono” que ficam parados. Ninguém percebe que o processo está travado até que o demurrage aparece na fatura. Aí o time inteiro para tudo para resolver a urgência — e os outros processos acumulam.
A pergunta honesta: quantas horas por dia a equipe gasta em trabalho que gera valor (análise, decisão, negociação com parceiro) vs. trabalho que apenas move dados de um lugar para outro?
Vamos ao exercício prático. Considere uma equipe de 5 analistas de importação:
Se cada analista gasta 2h/dia em consultas manuais: 5 × 2h × 22 dias = 220 horas/mês de consulta manual. Isso equivale a 1,3 pessoa em tempo integral.
Se cada analista gasta 1h/dia em redigitação: 5 × 1h × 22 = 110 horas/mês. Mais 0,7 pessoa.
Se follow-up por e-mail consome 1h/dia do time: mais 110 horas/mês.
Total de retrabalho estimado: ~440 horas/mês = 2,5 pessoas em tempo integral fazendo trabalho que não gera valor.
Agora a pergunta para a diretoria: vale mais contratar 1 pessoa (que vai herdar o mesmo retrabalho) ou eliminar o retrabalho e liberar a capacidade equivalente a 2,5 pessoas no time que já existe?
Tracking com armadores, consulta ao Mercante, status de desembaraço, dados de CCT — tudo isso pode ser recuperado automaticamente pelo sistema, no tempo do negócio, sem que o analista acesse cada portal manualmente.
O analista não para de trabalhar. Ele para de copiar dados e passa a analisar exceções.
Quando o dado entra uma vez — via carga de dados, via integração ou via consulta automática — ele alimenta todos os módulos. A planilha de FUP, o relatório, o dashboard e o alerta usam a mesma fonte. Zero redigitação.
Em vez de perguntar “qual o status?”, o sistema avisa quando o status muda. E quando o status não muda por tempo demais (processo parado), o alerta de aging dispara automaticamente. O follow-up deixa de existir como atividade — ele se torna subproduto do sistema.
Para cada analista do time, preencha por 1 semana:
Fórmula: (total retrabalho × nº analistas × 22 dias) ÷ 176 = nº de pessoas-equivalente gastas em retrabalho por mês.
Se o resultado for ≥ 1,0 — o time não precisa de mais gente. Precisa de menos retrabalho.
Produtividade como “palavra de ordem” — menos pessoas produzindo mais, inversão do fluxo de informação
Antes: “Era bem mais robusto, atividades bem mais manuais, precisava de mais pessoas para fazer as atividades básicas”
Depois: “Tenho menos pessoas para produzir mais. A informação vem até mim, eu não vou atrás dela.” Se tirasse a ferramenta, teria que dobrar pelo menos 50% do efetivo.
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=X21pnGZIyqg&t=225
Eloi Filho — Diretor de Desembaraço Aduaneiro — LOX
Eloi é direto: “Eu não consigo mais trabalhar da forma antiga, colaborador fazendo consultas manuais. Hoje a gente faz o inverso. A informação vem até mim, eu não vou atrás dela.” E quantifica: “Pelo menos 50% do meu efetivo eu teria que dobrá-lo.” Isso significa que metade da capacidade do time atual veio da eliminação de retrabalho — não de contratação. A produtividade não subiu porque as pessoas trabalham mais. Subiu porque pararam de fazer o que o sistema faz melhor.
Passo 1: Aplique a auditoria de retrabalho (bloco salvável acima) por 1 semana. Peça que cada analista registre honestamente onde gasta o tempo.
Passo 2: Identifique os 2 maiores ladrões de tempo (geralmente consultas manuais e redigitação). Calcule as horas-equivalente.
Passo 3: Automatize os 2 maiores ladrões. Consultas manuais → tracking e consultas automáticas. Redigitação → chave única e carga de dados. Meça o ganho em 30 dias.
Plano resumido:
Resultado esperado: em 30 dias, o time libera capacidade equivalente a 1+ pessoa sem contratar. Em 90 dias, a operação absorve crescimento de volume sem pedir reforço. A conversa com a diretoria muda de “preciso de mais gente” para “recuperamos X horas eliminando retrabalho”.
Risco de não agir: cada contratação sem eliminar retrabalho apenas multiplica a ineficiência. A pessoa nova herda os mesmos 5 ladrões de tempo. Em 6 meses, o pedido de headcount se repete — agora para 7 pessoas em vez de 6.
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