Desembaraço sobre águas: o que a antecipação aduaneira muda para quem importa por Santos
O canal de conferência agora pode ser revelado antes de o navio atracar em Santos. Entenda o que mudou em 2026, a diferença entre OEA e não OEA e o checklist do que precisa estar pronto antes da chegada.

Quem importa por Santos conhece a rotina: o navio atraca, a carga desce para o terminal e só então o processo começa a andar de verdade, enquanto a armazenagem já corre. Até lá, a equipe fica caçando informação com o agente, com o terminal e com o despachante para saber se dá para registrar a declaração. O desembaraço sobre águas muda essa ordem, porque permite que boa parte do caminho aduaneiro aconteça antes de a embarcação atracar.
Em 2026, o desembaraço sobre águas deixou de ser exclusividade de poucos importadores e chegou aos portos paulistas. A seguir, o que é, o que mudou para quem usa Santos e o que precisa estar pronto antes da atracação. Para quem acompanha muitos embarques, vale situar a ferramenta: o FollowNet One é a plataforma de Control Tower com Modelo e.Mix, que centraliza eventos, documentos, alertas e KPIs de todas as importações e exportações. Assim, o time atua por exceção e decide antes que o atraso vire armazenagem, multa ou prazo perdido.
- O problema: o processo aduaneiro só ganha ritmo depois da atracação, e cada dia de espera vira custo de armazenagem.
- O custo-risco: carga parada no terminal, produção esperando material e despesa que só aparece na fatura.
- O mecanismo: com a DUIMP registrada antes da chegada, o canal pode ser revelado e a conferência pode começar ainda sobre águas.
- Como começar: escolher um fornecedor recorrente e garantir que documentos e cadastro estejam prontos antes do navio chegar.
O que é desembaraço sobre águas
É a possibilidade de registrar a declaração de importação e avançar nas etapas aduaneiras enquanto a mercadoria ainda está em trânsito marítimo. Na prática, a análise de risco, a revelação do canal de conferência e, quando aplicável, o tratamento dos órgãos anuentes começam antes da atracação. Assim, se o canal for verde, a liberação pode acontecer sem que a carga espere dias no terminal pelo início do despacho.
O mecanismo está ligado à DUIMP, a Declaração Única de Importação do Novo Processo de Importação. Ou seja, operações ainda registradas por DI não usam essa sistemática. Se a sua empresa ainda está na transição, vale entender o que muda da DI para a DUIMP antes de pensar em antecipação.
O que mudou em 2026, e por que Santos entrou depois
Em março de 2026, a Notícia Siscomex Importação nº 018/2026 estendeu o desembaraço sobre águas às DUIMPs do modal marítimo de importadores sem certificação OEA, a partir de 16/03. A regra valeu para o país inteiro, com uma exceção: as unidades aduaneiras do estado de São Paulo, que dependiam do avanço do desligamento da DI no marítimo.
Essa etapa chegou em maio. Pela Notícia Siscomex Importação nº 038/2026, desde 4 de maio de 2026 a revelação do canal de conferência ainda sobre águas vale também para as unidades paulistas, o que inclui Santos. Portanto, quem importa pelo maior porto do país passou a ter a mesma possibilidade que os demais estados já tinham desde março.
OEA e não OEA: quem vê o canal primeiro
A antecipação vale para quem registra DUIMP no marítimo, mas o momento da revelação do canal muda conforme a certificação. Use o quadro abaixo como referência rápida:
| Ponto | Importador certificado OEA | Importador não OEA |
|---|---|---|
| Revelação do canal | Logo após o registro da DUIMP | Após o tempo de análise de risco definido pela Receita |
| Desembaraço, quando aplicável | Logo após o registro, com tratamento prioritário | Depois da revelação do canal, ainda sobre águas quando possível |
| Declaração exigida | DUIMP | DUIMP |
| O que precisa estar pronto | Dados, documentos e cadastro antes do registro | Os mesmos, com antecedência maior para absorver a análise de risco |
A certificação encurta o caminho porque a Receita já conhece os controles da empresa. Para entender essa lógica no dia a dia, veja o guia de compliance e OEA no Comex.
Antecipar é risco desnecessário? Onde o risco realmente está
A objeção mais comum é que registrar antes da chegada aumenta a chance de erro. No entanto, o risco não está em antecipar. Está em antecipar sem dado confiável. Se a fatura muda, se o cadastro do produto está incompleto ou se a licença ainda não saiu, a declaração registrada cedo vira retificação, e o ganho de tempo se perde.
Por isso, o desembaraço sobre águas premia quem tem informação a tempo, e não quem tem pressa. Quando o time sabe onde está cada carga e o que falta em cada processo, antecipar deixa de ser aposta e vira rotina.
Checklist: o que precisa estar pronto antes da atracação
- Dados do conhecimento de carga e da viagem disponíveis e conferidos.
- Fatura comercial e packing list na versão final, conferidas com o pedido.
- Produtos cadastrados no Catálogo de Produtos, com atributos completos.
- Licenças e anuências (LPCO) obtidas, quando a mercadoria exigir.
- Recursos para os tributos programados para a data do registro.
- Responsável definido para acompanhar a revelação do canal e agir se não for verde.
Cada item é uma informação que costuma chegar por e-mail, em momentos diferentes, de pessoas diferentes. O cadastro, por exemplo, já trava a emissão da DUIMP em muitas empresas, como mostramos em Catálogo de Produtos: o gargalo silencioso da DUIMP.
Saber o que está em cada navio sem perguntar para ninguém
Antecipar o desembaraço depende de uma pergunta simples: o que está chegando, em qual navio, e o que falta em cada processo? Luciano Braga, da Positivo Tecnologia, descreve como era antes: quando o navio atrasava, era preciso perguntar a todos quem tinha carga a bordo, e cada um ia à sua planilha. Depois, como ele resume, “com o sistema, a gente conseguiu centralizar tudo isso.”
Prova em campo. “O navio atrasa e a gente precisava saber quem que tem carga naquele navio.”
Luciano Braga, da Positivo Tecnologia, Coordenador de Comex, sobre centralizar a informação de cada embarque · abrir no YouTube
Quer ver como importadores passaram a enxergar cada embarque sem caçar informação? Veja como outras empresas resolveram isso →
Para importadores com volume recorrente, o FollowNet One organiza essa visão por pedido, embarque e processo, com alerta para o que ainda falta antes da chegada. Veja como a plataforma funciona para importadores.
Como começar sem projeto infinito
O desembaraço sobre águas não exige mudar a operação inteira de uma vez. Comece por onde o ganho é mais fácil de medir:
- Owner: Gerente de Importação.
- Cadência: checagem diária dos embarques com chegada prevista nos próximos sete dias.
- KPI farol: percentual de DUIMPs registradas antes da atracação.
- Primeiro recorte: um fornecedor recorrente, via Santos, com mercadoria que não exige anuência.
Saiba mais
Comece pelo guia completo do tema: DUIMP e o Novo Processo de Importação (NPI): o guia da adequação.
- Catálogo de Produtos: o gargalo silencioso que trava a emissão da DUIMP
- DUIMP no modal terrestre: o que muda no Mercosul a partir de dezembro de 2026
- DUIMP em montadoras: Catálogo de Produtos com centenas de part numbers
- DUIMP na indústria: por que um atraso de liberação vira parada de linha
- Erros comuns na transição para a DUIMP e como evitá-los
- Cronograma de adequação à DUIMP: a ordem de preparação que vale para qualquer data
- DUIMP em planilha vs. plataforma: por que o controle manual não escala no NPI
- DUIMP e LPCO: como antecipar anuências antes da carga chegar ao porto
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Perguntas & Respostas
O que é desembaraço sobre águas?
É a possibilidade de registrar a DUIMP e avançar nas etapas aduaneiras enquanto a mercadoria ainda está em trânsito marítimo. A análise de risco, a revelação do canal e, quando aplicável, o tratamento dos anuentes começam antes da atracação.
O desembaraço sobre águas vale para o Porto de Santos?
Sim. Pela Notícia Siscomex Importação nº 038/2026, desde 4 de maio de 2026 a revelação do canal de conferência ainda sobre águas vale também para as unidades aduaneiras de São Paulo, o que inclui Santos.
Importador sem certificação OEA pode usar o desembaraço sobre águas?
Pode. Desde 16 de março de 2026, pela Notícia Siscomex Importação nº 018/2026, as DUIMPs do modal marítimo de importadores não OEA também podem ter desembaraço sobre águas.
Qual a diferença entre OEA e não OEA nesse processo?
Para o OEA, a revelação do canal e, quando aplicável, o desembaraço ocorrem logo após o registro da DUIMP. Para o não OEA, o canal é revelado depois do tempo de análise de risco definido pela Receita Federal.
O desembaraço sobre águas funciona com DI?
Não. A sistemática está ligada à DUIMP, a Declaração Única de Importação do Novo Processo de Importação. Operações ainda registradas por DI não usam esse recurso.
Antecipar o registro da DUIMP aumenta o risco de erro?
O risco não está em antecipar, e sim em antecipar sem dado confiável. Fatura em revisão, cadastro incompleto ou licença pendente transformam o registro antecipado em retificação.
O que precisa estar pronto antes da atracação?
Dados do conhecimento de carga, fatura e packing list finais, produtos cadastrados no Catálogo de Produtos, licenças obtidas quando exigidas, recursos para os tributos e um responsável para acompanhar o canal.
O desembaraço sobre águas reduz a armazenagem?
Pode reduzir, porque o despacho não precisa começar só depois da atracação. O efeito real depende do canal de conferência, da preparação documental e das regras de cada terminal.
Como um sistema de gestão de importação ajuda a antecipar o desembaraço?
Ele mostra o que está chegando em cada navio e o que falta em cada processo antes da chegada. O FollowNet One centraliza eventos, documentos e alertas para o time agir por exceção a tempo do registro.
Como preparar a importação para o desembaraço sobre águas
Quatro decisões para registrar a DUIMP antes da atracação com dado confiável, começando por um recorte da operação.
- 1
Defina o dono
Nomeie o Gerente de Importação como responsável por acompanhar os embarques que podem ser registrados antes da chegada.
- 2
Estabeleça a cadência
Faça uma checagem diária dos embarques com chegada prevista nos próximos sete dias e do que falta em cada processo.
- 3
Escolha o farol
Acompanhe um único KPI: percentual de DUIMPs registradas antes da atracação.
- 4
Comece por um recorte
Aplique primeiro a um fornecedor recorrente, via Santos, com mercadoria que não exige anuência, antes de ampliar.
Sua carga ainda espera atracar para o processo começar a andar?
O FollowNet One mostra o que chega em cada navio e o que falta em cada processo antes da atracação. Veja como outras empresas resolveram isso nos depoimentos de clientes.
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