Reforma tributária na importação: o que a DUIMP já exige e o que muda em 2027
A reforma tributária chegou à DUIMP antes de chegar ao caixa: desde setembro, cada item pede o local de consumo e a base da CBS e do IBS. O que mudou, o que muda em 2027 e um checklist para dividir os ajustes entre Comex, fiscal e TI.
Desde 27 de setembro, a DUIMP pede, item por item, a UF e o município onde a mercadoria importada será consumida. Para muita equipe de Comex, a reforma tributária na importação ainda era “assunto do fiscal”, até a declaração não passar por um campo que ninguém tinha cadastrado. Enquanto isso, o dado fica espalhado entre a planilha do Comex, o ERP e o e-mail com a planta de destino.
A reforma tributária na importação já começou na prática, mesmo com 2026 sendo ano de teste. Por isso, vale entender o que a DUIMP passou a exigir, o que muda na virada de 2027 e o que o importador precisa ajustar agora. Para quem acompanha muitos processos, vale situar a ferramenta: o FollowNet One é a plataforma de Control Tower com Modelo e.Mix, que centraliza eventos, documentos, alertas e KPIs das importações e exportações. Assim, o time atua por exceção e decide antes que o dado faltante vire processo parado, multa ou prazo perdido.
- O problema: a DUIMP passou a exigir dados de destino e de base de cálculo que nem sempre estão com o Comex.
- O custo-risco: registro barrado, processo parado no porto e, a partir de 2027, custo de importação calculado com dado errado.
- O mecanismo: o dado fiscal do item passa a fazer parte do processo de importação, com dono e pendência visível antes do registro.
- Como começar: mapear o destino dos itens de maior volume e ajustar integrações antes da virada do ano.
O que a DUIMP passou a exigir em 27 de setembro de 2026
A Notícia Siscomex Importação nº 089/2026, publicada em 19 de agosto, anunciou as alterações da DUIMP para a Reforma Tributária do Consumo, que cria a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Desde 27 de setembro, essas mudanças estão em produção no Portal Único. As principais são:
- Local da operação de consumo: UF e município passam a ser obrigatórios para cada item, na aba Item > Mercadoria. É esse dado que define o destino do IBS estadual e municipal.
- Outros tributos até a liberação: na aba Item > Tributos, ficam obrigatórios os valores de impostos, taxas, contribuições ou direitos devidos até a liberação que compõem a base de cálculo da CBS e do IBS, quando o sistema não os obtém automaticamente.
- Fim do cClassTrib manual: o importador deixa de preencher esse campo nos itens, porque os códigos CST e cClassTrib passam a ser definidos pelo próprio sistema.
- Novo cálculo na declaração: a aba Resumo > Cálculo dos Tributos passa a mostrar os totais de CBS, IBS estadual e IBS municipal.
Para quem registra a DUIMP por integração, o ponto é ainda mais sensível: sem o leiaute ajustado aos novos campos obrigatórios, o registro pode ser rejeitado.
2026 é ano de teste, mas o dado já precisa estar certo
Segundo a orientação da Receita Federal, os valores de CBS e IBS calculados na DUIMP não devem ser recolhidos em 2026. Ou seja, este é o ano de teste da reforma, em que os documentos fiscais já carregam a alíquota teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS) sem efeito de cobrança.
No entanto, teste não significa campo opcional. O preenchimento correto já é exigido, e é justamente agora que a empresa descobre se os cadastros conseguem dizer, item por item, para onde vai cada mercadoria importada. Quem usar 2026 para acertar o dado chega a 2027 sem improviso.
O que muda em 2027 na importação
A virada está marcada para 1º de janeiro de 2027, quando a CBS passa a substituir o PIS e a Cofins, inclusive na importação. Já o IBS, que vai substituir o ICMS e o ISS, entra em transição gradual até 2033. Portanto, a composição do custo de importação começa a mudar no próximo ano, e cada mudança depende de dados que nascem no processo de Comex.
Na prática, três coisas pedem atenção: o custo nacionalizado precisa ser recalculado com a nova estrutura de tributos; o local de consumo passa a ter efeito tributário real; e o cadastro do produto, que já pesa na DUIMP, ganha ainda mais importância. Para comparar com o modelo atual, veja quais são os tributos na importação hoje.
Reforma tributária na importação é assunto do fiscal ou do Comex?
A objeção é comum: tributo é com o fiscal, e o Comex cuida da carga. Porém, os dados que a DUIMP passou a pedir moram no processo de importação, e não no departamento fiscal. O destino de cada item depende de para qual planta ou centro de distribuição a carga vai. As taxas pagas até a liberação aparecem ao longo do despacho. E o cadastro do produto é o mesmo que já trava a declaração quando está incompleto, como mostramos em Catálogo de Produtos: o gargalo silencioso da DUIMP.
Por isso, a resposta mais útil não é escolher uma área, e sim definir quem fornece cada dado e quem valida antes do registro. Sem esse acordo, o campo obrigatório vira processo parado na véspera da chegada.
Checklist: o que ajustar antes da virada de 2027
Use o quadro abaixo para distribuir os ajustes entre as áreas e acompanhar o que já está pronto:
| Ajuste | Onde o dado nasce | Dono sugerido |
|---|---|---|
| Mapear UF e município de destino de cada item recorrente | Planejamento de entrega por planta ou CD | Comex com logística |
| Revisar NCM e atributos no Catálogo de Produtos | Cadastro do produto | Comex com fiscal |
| Levantar as taxas e contribuições pagas até a liberação | Etapas do despacho | Comex |
| Ajustar integrações ao novo leiaute da DUIMP | ERP ou sistema de registro | TI com o despachante |
| Simular o custo de 2027 nas importações recorrentes | Custo nacionalizado atual | Fiscal com controladoria |
| Definir quem valida o dado fiscal antes do registro | Fluxo interno do processo | Gerente de Comex |
Legislação muda; o dado precisa estar no processo
A cada mudança de regra, a operação que depende de planilha precisa reaprender onde está cada informação. Já a operação que tem o processo centralizado ajusta o campo e segue. Além disso, quando o dado vem da fonte, o erro deixa de depender de quem digitou. Marco Nascimento, que era gerente de sistemas da Agility, resume o ganho: “Isso deu uma qualidade muito maior de informação e, consequentemente, atender os clientes de uma forma melhor. Você se torna mais confiável.”
Prova em campo. “Com a ferramenta você tem segurança: se a informação estiver errada, é porque está errada na fonte, não é você.”
Marco Nascimento, da Agility, Gerente de Sistemas à época, sobre confiar na informação que vem da fonte · abrir no YouTube
No FollowNet One, o processo de importação reúne pedido, embarque, documentos e cadastro numa base só, e o processo travado por falta de NCM, cadastro ou documento aparece sozinho, antes do registro. Veja como a plataforma funciona para importadores.
Quer ver como outros importadores organizaram o dado do processo antes de cada mudança de regra? Veja como outras empresas resolveram isso →
Como começar sem projeto infinito
Até a virada do ano há tempo para acertar o essencial. Comece pelo que mais se repete:
- Owner: Gerente de Importação, com o coordenador fiscal como corresponsável.
- Cadência: revisão semanal até dezembro dos itens com dado fiscal pendente.
- KPI farol: número de DUIMPs barradas ou retificadas por dado de local de consumo ou de base de cálculo.
- Primeiro recorte: os itens importados de maior volume, com o destino mapeado por planta ou centro de distribuição.
Saiba mais
Comece pelo guia completo do tema: DUIMP e o Novo Processo de Importação (NPI): o guia da adequação.
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Perguntas & Respostas
O que muda na importação com a reforma tributária?
A CBS e o IBS substituem tributos atuais, inclusive na importação. A partir de 1º de janeiro de 2027, a CBS passa a substituir o PIS e a Cofins, e o IBS, que substitui o ICMS e o ISS, entra em transição gradual até 2033.
O que a DUIMP passou a exigir em 27 de setembro de 2026?
Pela Notícia Siscomex Importação nº 089/2026, a DUIMP passou a exigir UF e município do local da operação de consumo por item, além dos valores de impostos, taxas e contribuições devidos até a liberação que compõem a base da CBS e do IBS, quando não obtidos automaticamente.
O IBS e a CBS já são pagos na importação em 2026?
Não. Em 2026, os valores calculados na DUIMP não devem ser recolhidos, porque este é o ano de teste da reforma. Mesmo assim, o preenchimento correto dos campos já é exigido.
O que é o local da operação de consumo na DUIMP?
É a UF e o município onde a mercadoria importada será consumida, informados para cada item. Esse dado define o destino do IBS estadual e municipal.
O importador ainda precisa preencher o cClassTrib na DUIMP?
Não. Com a nova versão da DUIMP, o campo deixa de ser preenchido nos itens, porque os códigos CST e cClassTrib passam a ser definidos pelo próprio sistema.
Quando a CBS substitui o PIS e a Cofins na importação?
A virada está marcada para 1º de janeiro de 2027. Até lá, 2026 funciona como período de teste e de adaptação de cadastros e sistemas.
Reforma tributária na importação é responsabilidade do Comex ou do fiscal?
Das duas áreas. Os dados que a DUIMP passou a pedir, como destino do item e taxas pagas até a liberação, nascem no processo de importação. O mais útil é definir quem fornece cada dado e quem valida antes do registro.
O que acontece se a integração com a DUIMP não for ajustada?
Quem registra a DUIMP por integração precisa adaptar o leiaute aos novos campos obrigatórios. Sem isso, o registro pode ser rejeitado e o processo fica parado.
Como um sistema de gestão de importação ajuda na reforma tributária?
Ele reúne pedido, embarque, documentos e cadastro no mesmo processo e mostra o que está pendente antes do registro. O FollowNet One é a plataforma de Control Tower com Modelo e.Mix que faz isso para importadores.
Como preparar a importação para a reforma tributária antes de 2027
Quatro decisões para acertar os dados de IBS e CBS na DUIMP ainda no ano de teste, começando pelos itens de maior volume.
- 1
Defina o dono
Nomeie o Gerente de Importação como responsável, com o coordenador fiscal como corresponsável pela validação dos dados.
- 2
Estabeleça a cadência
Faça uma revisão semanal, até dezembro, dos itens com dado fiscal pendente.
- 3
Escolha o farol
Acompanhe um único KPI: número de DUIMPs barradas ou retificadas por dado de local de consumo ou de base de cálculo.
- 4
Comece por um recorte
Aplique primeiro aos itens importados de maior volume, com o destino mapeado por planta ou centro de distribuição.
Sua operação sabe dizer, item por item, para onde vai cada mercadoria importada?
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